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terça-feira, 22 de março de 2011

Cio do potro – Usar ou não?

Tentando sanar minha curiosidade sobre o famoso "cio do potro", e já vivenciando experiências de éguas que emprenharam e não emprenharam nesse período, fui em busca de mais informações. Apesar de ter encontrado, no site da Associação dos QM, achei de grande importância e um assunto interessante para postar no blog e dividir com os amigos interessados no assunto.

A espécie eqüina apresenta um dos índices de fertilidade mais baixo entre os animais domésticos em decorrência da seleção zootécnica, que nesta espécie, ao contrário de outras, jamais levou em consideração critérios de fertilidade. Levando-se em conta também o longo período de gestação da égua (315 - 345 dias) é que se tem à necessidade imediata da égua conceber após o parto para se conseguir uma gestação por ano. Esse texto apresenta resultados obtidos no Brasil e no mundo em relação à fertilidade do “cio do potro” e se o seu uso é aconselhável ou não.
Introdução:
O primeiro estro seguido do parto é comumente chamado de "cio do potro". O intervalo do parto até a primeira ovulação foi relatado ser de 10 dias, a variação foi de 5 a 30 dias. Esse fenômeno ocorre com a fêmea eqüina talvez por causa do longo período gestacional e da pressão evolutiva para o intervalo de partos de doze meses, sendo o animal de produção com o menor intervalo pós-parto.
A involução uterina depois de um parto normal é rápida. Uma completa involução ocorre em seis semanas, porém uma considerável recuperação do útero é observada entre o 5o e o 15o dia pós-parto, o que torna a égua apta a conceber nesse cio, se não houve complicações.
Índices de fertilidade:
Há um conflito evidente sobre o nível de morte embrionária quando a fertilização ocorre neste momento, com alguns estudos mostrando uma taxa menor de prenhez e outros que mostram nenhum efeito. Uma das vantagens da cobertura no primeiro cio pós-parto é um período significativamente menor no intervalo entre partos.
Há fêmeas que não apresentam o "cio do potro". Provavelmente em virtude de fatores ambientais, desequilíbrios nutricionais ou hormonais. É comum em fêmeas recém-paridas, preocupadas em protegerem as crias, a não exteriorização do estro pós-parto. Outras podem mostrar sinais característicos de estro com a presença do rufião, porém, não aceitam a aproximação deste.
Vários autores têm afirmado que a fertilidade da égua no “cio do potro” tem sido baixa, quando comparada com os cios subseqüentes ao parto, e tem ocorrido redução da taxa de gestação e alta incidência de morte embrionária.
Alguns estudos têm indicado que as taxas de prenhez são reduzidas em éguas cobertas ou inseminadas na primeira ovulação pós-parto, comparada com éguas cobertas ou inseminadas depois da primeira ovulação pós-parto. Mais especificamente, éguas inseminadas antes de 10 dias pós-parto, tendo uma taxa de prenhez menor que éguas inseminadas mais tarde (45% versus 59%). O retorno do endométrio a uma condição que o torne capaz de suportar uma próxima prenhez é um processo gradual e pode não estar completo em éguas antes dos 10 dias pós-parto.
Éguas cobertas/inseminadas no “cio do potro” podem ter a fertilidade reduzida devido ao ambiente uterino hostil causado pelo atraso na involução uterina e endometrite persistente. Entretanto, essa taxa de prenhez é severamente influenciada por critérios de seleção para a cobertura ou inseminação, tais como: Parto normal; expulsão da placenta; mínima laceração vaginal e ausência de infecção. A citologia uterina e avaliação ultrassonográfica do trato genital de cada égua devem ser utilizados para se tomar tal decisão.
O “cio do potro” poderá ser aproveitado obtendo-se altas taxas de fertilidade, dependendo das condições físicas do animal ao parto, e do aparelho reprodutor pós-parto. Algumas vezes, a baixa fertilidade das éguas, no primeiro estro pós-parto, é conseqüência do tempo insuficiente para a regeneração do endométrio, alta susceptibilidade a infecções ou insuficiente involução uterina.
Conclusão:
Segundo os autores, não devemos utilizar o “cio do potro” se a involução uterina for fisicamente insatisfatória; se a égua tiver corrimento vaginal, ou cultura positiva no momento do serviço reprodutivo; se a égua apresentou distocia ou retenção de membranas fetais. Considera também que utilizaremos o “cio do potro” se a égua pariu tarde na estação de monta; se os eventos pós-parto parecem normais; se a involução uterina for adequada e se a égua é conhecida por ter ciclos aberrantes após o “cio do potro”.
Resultados de diferentes estudos indicam que taxas de gestação no “cio do potro” foram inferiores em 11 a 33% àquelas obtidas em ciclos subseqüentes. Por outro lado, trabalhos envolvendo grande número de repetições mostraram taxas de concepção semelhantes entre o “cio do potro” e os de éguas solteiras ou paridas, cobertas em cios subseqüentes, ou seja, se não houve complicações no pós-parto e a égua apresenta uma saúde uterina compatível, o uso do “cio do potro” é totalmente aconselhável quando se deseja otimizar a eficiência reprodutiva da égua.

 
Rodrigo Arruda de Oliveira – Médico Veterinário Autônomo – CRMV/GO 3083
(Reprodução e Clínica de eqüinos)
Tel: 62- 99984639
e-mail: rodrigocavalos@yahoo.com.br


Fonte: ABQM

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